Querido diário, hoje o tempo parou na minha cozinha.
Aconteceu quase sem querer. Meu filho, entre uma garfada e outra, soltou rindo que um dia vai sair de casa. Falou com a leveza de quem comenta um plano distante, uma aventura futura. Mas, dentro de mim, o mundo girou em câmera lenta.
Ninguém avisa a gente que, enquanto nos ocupamos ensinando a andar, a falar, a comer sozinho e a sonhar, estamos, na verdade, trabalhando arduamente para preparar o nosso próprio coração para a despedida. Estamos ensinando a partir.
Perrengue do dia
O desafio imediato não foi repreendê-lo ou mudar de assunto. O verdadeiro “perrengue” foi engolir o choro seco e sorrir, fingindo uma naturalidade de atriz de novela. Tive que pensar rápido: “É isso que eu sempre quis, não é?”.
É uma mistura agridoce. Sentimos orgulho da autonomia deles, mas sentimos um medo paralisante do silêncio que virá. É sentir saudade de algo que ainda nem aconteceu.
Perrengue da semana
Nesta semana, a ficha caiu de forma pesada: criar um filho não é sobre estratégias para mantê-lo debaixo da nossa asa para sempre. É exatamente o oposto. É sobre criar asas fortes o suficiente para que ele possa voar, mesmo que esse voo signifique cruzar horizontes longe dos meus olhos.
Independência é Amor
Para nós, mães, fica a reflexão necessária: quando um filho fala em sair de casa, ou quando ele finalmente sai, isso não é abandono. Pelo contrário, é o atestado de sucesso da nossa missão. É o sinal de que ele se sentiu seguro, amado e preparado o bastante para seguir o próprio caminho.
Se o coração aperta, é porque amamos do jeito certo. Criamos filhos para o mundo… mesmo que o mundo, às vezes, doa na gente.
Dica prática da Josi
Não deixe a “síndrome do ninho vazio” te assombrar antes da hora.
- Aproveite o agora: Valorize os momentos simples, o barulho da TV, a bagunça na sala.
- Demonstre: Ouça mais, abrace mais e diga “eu te amo” sem economia.
- Entenda: A independência dele é a prova de que o seu amor foi a base sólida que ele precisava.








