Fundador de uma das grifes mais luxuosas do mundo e criador do lendário tom “vermelho Valentino”, o estilista faleceu em sua residência.
O mundo da moda despede-se de um de seus maiores mestres. O estilista italiano Valentino Garavani morreu nesta segunda-feira, aos 93 anos, em sua residência em Roma. A notícia foi confirmada por sua fundação oficial: “Valentino Garavani faleceu hoje, cercado por seus entes queridos”, informou o comunicado.
O cerimonial de despedida terá início com um velório nesta quarta (21) e quinta-feira (22). O funeral oficial está marcado para sexta-feira (23), na histórica Basílica Santa Maria degli Angeli e dei Martiri, na capital italiana.
A Ascensão e o “Vermelho Valentino”
Nascido em Voghera em 1932, Valentino refinou seu talento em Paris antes de abrir sua casa de alta-costura em Roma, em 1959. Em apenas três anos, seu nome tornou-se sinônimo de elegância internacional.

Sua assinatura mais famosa foi, sem dúvida, o uso do escarlate intenso. O tom tornou-se tão indissociável de sua obra que passou a ser catalogado mundialmente como “vermelho Valentino”.
Ao lado de seu parceiro de vida e negócios, Giancarlo Giammetti, ele ergueu um império que vestiu as mulheres mais influentes da história, de Elizabeth Taylor a Jacqueline Kennedy Onassis — que escolheu um modelo do estilista para seu casamento com Aristóteles Onassis em 1968.
O Rei do Tapete Vermelho
Valentino foi o favorito absoluto da era de ouro de Hollywood e das supermodelos dos anos 90, como Naomi Campbell e Claudia Schiffer. Sua presença no Oscar é lendária, com criações que entraram para a história da premiação:

O vestido vintage preto e branco de Julia Roberts (2001);
O modelo amarelo vibrante de Cate Blanchett (2005);
O look de alta-costura usado por Anne Hathaway em 2011, quando desfilou acompanhada pelo próprio mestre.
Mais recentemente, ícones da nova geração como Zendaya continuaram a levar o legado da grife aos holofotes, mantendo a marca relevante e desejada.
O Cavalheiro e seus Pugs
Para além das passarelas, Valentino era a personificação do “cavalheiro italiano”: sempre bronzeado, impecavelmente trajado e cercado de sofisticação. Colecionador de antiguidades e amante da natureza, ele dividia seu tempo entre propriedades luxuosas em Paris, Nova York e Londres.

No entanto, seu grande afeto eram seus cães da raça pug. “Meus cães são mais importantes que a coleção”, afirmou ele no documentário O Último Imperador (2008).
O Fim de uma Era
Valentino aposentou-se em 2008, após 45 anos de uma carreira sem precedentes.

Seu desfile de despedida no Museu Rodin, em Paris, terminou com um exército de modelos vestindo o seu icônico vermelho, em uma das cenas mais emocionantes da indústria.
Sua morte encerra o capítulo dos grandes mestres da “velha guarda” da moda. Como ele mesmo previu, com seu característico sorriso irônico ao ser questionado sobre ser insubstituível: “Depois de mim, o dilúvio”.
Fonte: CNN Brasil







