Sete associações, incluindo a Academia Americana de Pediatria, classificam as mudanças no CDC como “imprudentes e perigosas” e pedem intervenção judicial imediata.
Uma coalizão de sete das mais importantes associações médicas dos Estados Unidos entrou com uma ação judicial nesta segunda-feira (19) para reverter as recentes alterações no calendário de vacinação infantil do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças). O processo, apresentado no Tribunal Distrital dos EUA em Massachusetts, descreve a reformulação do governo federal como “flagrante, imprudente e perigosa”.
Entre as entidades que assinam a denúncia estão a Academia Americana de Pediatria (AAP), o Colégio Americano de Médicos, a Associação Americana de Saúde Pública e a Seção de Massachusetts da AAP.
O impasse científico
A polêmica central gira em torno da decisão do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), sob a gestão de Robert F. Kennedy Jr., de restringir vacinas consolidadas. Imunizantes contra meningite meningocócica, hepatite B e hepatite A deixaram de ser recomendação universal, passando a ser indicados apenas para crianças de “alto risco”.
Além disso, vacinas contra gripe, Covid-19 e rotavírus agora dependem de uma “tomada de decisão clínica compartilhada”, exigindo uma consulta prévia com profissionais de saúde.
As entidades médicas argumentam que, historicamente, qualquer alteração no calendário era baseada em novas evidências científicas avaliadas por comitês técnicos (ACIP). No entanto, desta vez, as mudanças teriam sido motivadas por uma ordem direta do presidente Donald Trump para alinhar o calendário americano ao de outros países, como a Dinamarca, sem a apresentação de estudos que questionassem a eficácia ou segurança das vacinas atuais.
“Confusão desnecessária”
“A saúde das crianças depende de recomendações baseadas em ciência rigorosa e transparente”, afirmou o Dr. Andrew Racine, presidente da Academia Americana de Pediatria. “Autoridades federais abandonaram esse padrão, causando confusão para as famílias e comprometendo o acesso a vacinas que salvam vidas.”
O processo judicial busca:
- Restabelecer o calendário de vacinação conforme estava em 15 de abril de 2025.
- Suspender as reuniões do atual comitê de vacinas (ACIP), alegando que o painel é composto por membros sem qualificação técnica adequada nomeados por Kennedy.
- Bloquear a próxima reunião, agendada para fevereiro.
A resposta do Governo
Em contrapartida, o porta-voz do HHS, Andrew Nixon, defendeu a administração: “A AAP continua tentando obstruir o trabalho desta Administração por meio de contestações processuais enquanto busca preservar um status quo falho. O ACIP continua operando de forma legal e transparente.”
Kennedy, conhecido por seu ceticismo em relação às vacinas, substituiu recentemente os membros técnicos do comitê por nomes que compartilham de sua visão, incluindo profissionais que se autodescrevem como “antivacina”.
O desfecho deste embate judicial terá impacto direto na saúde pública e na forma como milhões de famílias americanas protegem seus filhos contra doenças evitáveis.
Fonte: CNN







