Fevereiro na América não é apenas sobre neve; é sobre a resistência da alma. Enquanto o mundo lá fora congela, nossa coluna reflete sobre como manter o fogo interno aceso quando o isolamento tenta vencer.
Estamos oficialmente naquela fase do inverno onde o encanto da primeira neve já passou e o cansaço do cinza constante começa a pesar. Para nós, brasileiros na América, este é o momento em que a saudade do sol se mistura com a exaustão da rotina. É o que eu chamo de “o inverno da alma”.
Muitas vezes, tentamos esconder nossa tristeza ou desânimo atrás de camadas de casacos e horas extras de trabalho. Mas a sobrevivência real exige que a gente aprenda a olhar para o que o frio está tentando nos dizer.
O perigo do isolamento silencioso
No Brasil, a vida acontece na rua, no barulho, no abraço. Aqui, o frio nos empurra para dentro de casa e, muitas vezes, para dentro de nós mesmos de um jeito solitário. O silêncio das janelas fechadas pode ser perigoso se não soubermos preenchê-lo com conexão.
Muitos imigrantes entram no “piloto automático” nesta época: trabalho, casa, sono, repetição. Quando paramos de conviver, começamos a apenas durar, e não a viver.

A sobrevivência consciente que tanto defendemos aqui exige que você force a saída desse casulo. Ligue para um amigo, participe da sua comunidade, não deixe o gelo congelar seus relacionamentos.
A produtividade não é o seu único valor
Neste país, somos ensinados que valemos o quanto produzimos. Mas, no pico do inverno, seu corpo e sua mente pedem um ritmo diferente. Não se culpe por estar mais cansado. Não se compare com quem parece estar “vencendo” o tempo todo nas redes sociais.
O inverno é, na natureza, um tempo de preparação silenciosa para a primavera.

Use este tempo para planejar, para estudar, para cuidar da sua saúde mental. Às vezes, recuar um pouco para ganhar fôlego é a estratégia mais inteligente de quem deseja chegar longe.
Pequenos ritos de calor interno
Para atravessar as próximas semanas, minha sugestão é que você crie seus próprios “pontos de calor”:

Mantenha a rotina de luz: Mesmo no frio, tente ver a luz do dia, nem que seja por 10 minutos.
Alimente a alma: Comida quente, música que traga boas memórias e conversas que edifiquem.
Busque ajuda se o peso for excessivo: O “Winter Blues” (tristeza de inverno) é real e não deve ser enfrentado sozinho.
Sobreviver à América é um ato de coragem, mas permanecer inteiro emocionalmente é a sua maior vitória. O gelo vai derreter, a primavera vai chegar, mas até lá, cuide do seu fogo interno com o maior zelo do mundo.
Você não está sozinho nessa travessia.
Redação Zimny Magazine.







