Estudo publicado pelo CDC identifica o Influenza D e um Coronavírus Canino como ameaças silenciosas que já circulam entre humanos, muitas vezes sem detecção.
Enquanto o mundo ainda lida com as sequelas das crises sanitárias recentes, pesquisadores e autoridades de saúde pública voltam suas atenções para dois novos inimigos invisíveis. Um estudo recente publicado na revista Emerging Infectious Diseases, do CDC (Centers for Disease Control and Prevention), aponta que o Influenza D e o coronavírus canino HuPn-2018 representam riscos reais de futuras epidemias devido à baixa vigilância e à capacidade de mutação.
Influenza D: O Vírus dos Trabalhadores Rurais
Identificado pela primeira vez em porcos em 2011, o Influenza D já se espalhou por bois, camelos e outros mamíferos. O que preocupa os cientistas é a sua proximidade com os humanos.
Em pesquisas realizadas na Flórida, 97% dos trabalhadores rurais apresentaram anticorpos contra o vírus, indicando uma exposição massiva. Embora ainda não cause doenças graves em pessoas, experimentos mostram que o vírus já consegue infectar células humanas e pode ser transmitido pelo ar.
Coronavírus Canino (HuPn-2018): O “Invisível” aos Testes
O segundo alerta recai sobre o HuPn-2018, um coronavírus recombinante (mistura de material genético de cães e gatos). Identificado inicialmente em um paciente com pneumonia na Malásia, ele já foi detectado em pacientes nos Estados Unidos, Tailândia e Vietnã.
O maior desafio aqui é técnico: os exames laboratoriais comuns não detectam este vírus. Isso significa que ele pode estar circulando em casos de infecção respiratória tratados como “gripe comum”, sem que as autoridades saibam a real dimensão da sua propagação.
Por que o risco é real?
O estudo destaca três lacunas críticas que favorecem o surgimento de uma crise:
- Falta de monitoramento: A vigilância em áreas rurais ainda é insuficiente.
- Escassez de testes: Não existem kits de diagnóstico rápido para esses vírus em larga escala.
- Adaptação: O vírus pode sofrer mutações silenciosas até se tornar altamente eficiente na transmissão entre humanos.
O Que Dizem os Especialistas
Para evitar novos cenários de crise, os cientistas defendem o investimento imediato em biobancos e no desenvolvimento de testes específicos, além de uma integração maior entre a saúde animal e humana (o conceito de One Health).
Fonte: Metrópoles







