Prefeita Michelle Wu alerta que novas regras podem deixar mais de 1.100 pessoas desabrigadas; cidade terá que cortar US$ 29 milhões em projetos de habitação permanente.
A cidade de Boston, liderada pela prefeita Michelle Wu, uniu forças com Cambridge e outros governos locais em um processo federal contra o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano (HUD). A ação visa barrar mudanças repentinas nas regras de financiamento que ameaçam desestabilizar a rede de apoio à população em situação de rua.
Sob novas diretrizes anunciadas no mês passado, o HUD está desviando recursos da “habitação permanente com suporte” para focar em “moradia transitória”. Para Boston, isso significa a eliminação de US$ 29 milhões em projetos já estabelecidos e a necessidade de substituí-los às pressas.
“A moradia permanente com apoio tem sido fundamental para combater a falta de moradia e manter os moradores de Boston estáveis”, declarou a prefeita Wu. Ela alertou que, sem intervenção judicial, mais de 1.100 moradores, incluindo veteranos e sobreviventes de violência doméstica, correm o risco de perder seus lares.
Impacto Nacional
O processo alega que a decisão tardia do HUD força as cidades a recriar programas complexos em prazos inviáveis. Além de Boston, a ação inclui Cambridge e governos locais da Califórnia, Arizona e Tennessee. Estima-se que 170.000 pessoas em todo o país possam ser afetadas pela interrupção dos subsídios.
Conflito de Filosofias
A disputa expõe um choque de visões sobre como combater a falta de moradia. Boston defende a estratégia “Housing First” (Moradia Primeiro), que prioriza colocar pessoas em casas estáveis como base para a recuperação. Já a atual administração federal argumenta que esse modelo cria dependência e falha em tratar as “causas profundas”, como o uso de drogas.
Lyndia Downie, presidente do Pine Street Inn, defendeu o modelo atual: “Com 98% dos nossos inquilinos permanecendo alojados após um ano… seria desastroso abandonar essa abordagem.”
Fonte: Boston.com







