O cenário educacional de Massachusetts está diante de sua maior transformação em décadas. Na manhã desta segunda-feira, a governadora Maura Healey subiu ao palco da Dedham High School não apenas para anunciar novas regras, mas para apresentar uma nova filosofia para a educação pública do estado: uma que troca as “barreiras” dos testes de alto risco por “pontes” para o futuro profissional e acadêmico dos alunos.
A apresentação da nova estrutura (“framework”) de graduação ocorre em resposta direta à decisão dos eleitores de Massachusetts, que em 2024 votaram massivamente pela eliminação do exame MCAS como requisito obrigatório para a obtenção do diploma. O desafio desde então tem sido: como manter o rigor acadêmico que faz de Massachusetts uma referência nacional, sem depender de uma única prova eliminatória?
Os Três Pilares da Nova Proposta
A proposta da administração Healey-Driscoll, desenvolvida em parceria com o Conselho Estadual de Graduação K-12, baseia-se em diversificar a forma como o aluno demonstra conhecimento. O plano apoia-se em três pilares principais:
- Avaliações de Final de Curso: Em vez de um “super exame” no 10º ano, os alunos fariam provas aplicadas e corrigidas pelo estado ao final de disciplinas específicas (Álgebra I, Inglês, Ciências e Estudos Sociais). Healey enfatizou que estes exames não seriam de “alto risco”, mas focados apenas no conteúdo recém-estudado.
- Aprendizado Prático (Capstone Projects): A inclusão de projetos de conclusão de curso ou portfólios. Isso permite que os alunos demonstrem habilidades práticas, pesquisa e criatividade, algo que um teste de múltipla escolha raramente captura.
- Preparação para a Vida Adulta: A obrigatoriedade de aulas de educação financeira e a elaboração de um plano individual de carreira e acadêmico, garantindo que o aluno saia da escola sabendo gerir recursos e com um norte profissional.
“Trata-se de garantir que cada aluno saia com as ferramentas, os recursos e os meios necessários para ser o mais bem-sucedido possível”, declarou Healey para uma plateia de educadores e estudantes.
Resistência Imediata
Apesar do discurso de modernização, a proposta já nasce enfrentando turbulência. A inclusão de “provas de final de curso aplicadas pelo estado” soou o alarme na Associação de Professores de Massachusetts (MTA). Para o sindicato, isso soa como uma reedição do MCAS com outro nome.
Max Page, presidente da MTA, classificou a insistência em testes estaduais como um “desperdício de uma oportunidade única” de reformular o ensino. O sindicato prometeu “lutar vigorosamente” contra qualquer medida que tente reintroduzir testes padronizados como barreira para a graduação, sinalizando que o caminho até a aprovação final das medidas, prevista para junho de 2026, será de intensos debates.
O Futuro da Educação
Annabelle Griffith, estudante da Norton High School e membro do conselho que ajudou a desenhar as propostas, ofereceu uma visão otimista, afirmando que as novas regras “mantêm as portas abertas, em vez de fechá-las prematuramente”.
O Secretário de Educação, Patrick Tutwiler, reforçou que o objetivo não é “reinventar a roda”, mas sim escalar práticas que já funcionam em distritos de ponta para todo o estado. O processo de refinamento das propostas continuará nos próximos dois anos, com a promessa de ouvir todas as partes interessadas.
Fonte: Boston.com







