Relatório aponta que a privação de sono entre jovens atingiu níveis de epidemia, afetando a saúde mental e o desenvolvimento cerebral.
A mudança de rotina e o ritmo acelerado do dia a dia podem deixar qualquer um grogue, mas a situação é alarmante para os adolescentes. Um novo relatório publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) revela que os jovens estão dormindo menos do que nunca, e as causas vão muito além do uso de dispositivos eletrônicos.
De acordo com o estudo, que analisou dados de quase 121.000 estudantes do ensino médio, aproximadamente três em cada quatro adolescentes relatam dormir pouco (menos de oito horas por noite). O dado mais preocupante é o aumento no número daqueles que dormem apenas cinco horas ou menos, grupo que saltou de 15,8% para 23% nos últimos anos.
O fator surpresa: O papel das telas
Embora muito se fale sobre o impacto dos smartphones no sono, a pesquisa trouxe uma descoberta surpreendente: o aumento da privação de sono não depende apenas do comportamento digital.

Independentemente do tempo gasto em redes sociais ou TV, a perda de sono foi observada de forma generalizada em toda a população jovem.
“Adolescentes que passam muito pouco tempo em frente às telas apresentam um aumento maior na privação de sono do que aqueles que as usam intensamente”, afirma o psiquiatra infantil Tanner Bommersbach. O especialista especula que fatores como horários escolares muito cedo, excesso de atividades extracurriculares e menor supervisão dos pais podem estar por trás dessa “epidemia”.
Por que o sono importa?
O sono desempenha um papel crucial na regulação emocional, na saúde física e no desempenho acadêmico. Anita Shelgikar, presidente da Academia Americana de Medicina do Sono, reforça que a falta de descanso reparador compromete o desenvolvimento cerebral em uma fase crítica da vida.
Como reverter essa tendência
Para melhorar a qualidade do descanso, especialistas sugerem medidas práticas que podem ser adotadas pela nova geração:
- Exposição à luz natural: Receber luz solar logo pela manhã ajuda a regular o ritmo circadiano do cérebro.
- Ambiente ideal: Manter o quarto fresco, escuro e silencioso.
- Rotina consistente: Horários regulares para dormir e acordar definem o alerta biológico.
A privação de sono entre adolescentes é, sem dúvida, um apelo à ação para pais, educadores e para a própria sociedade, visando garantir que as próximas gerações cresçam com saúde e equilíbrio.
Fonte: WBUR







