Promotor Lincoln Gakiya revela que autoridades americanas buscam cooperação direta em Massachusetts e detalha riscos de sanções e barreiras burocráticas para o país.
O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco (MP-SP), afirmou que os Estados Unidos deverão avançar com a classificação do PCC como organização terrorista, independentemente da resistência diplomática do governo brasileiro. Em entrevista ao Estúdio I, Gakiya relatou encontros recentes com assessores do secretário de Estado, Marco Rubio, para detalhar o funcionamento da facção, que já possui tentáculos em 28 países.
Apesar da pressão do Itamaraty para adiar a decisão até o encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump, a agenda americana segue acelerada. Gakiya viaja ainda este mês para Boston, Massachusetts, onde se reunirá com representantes da DEA, FBI e do Departamento de Estado para alinhar estratégias de combate ao crime organizado transnacional.
Riscos da classificação
Embora o promotor reconheça o caráter sanguinário do grupo, ele alerta que o rótulo de “terrorismo” pode ser contraproducente para as investigações brasileiras:
- Barreiras de Informação: Dados que hoje circulam livremente entre a polícia brasileira e o FBI poderiam se tornar sigilosos (nível CIA), dificultando o acesso direto do MP-SP.
- Sanções Econômicas: O Brasil poderia enfrentar dificuldades em empréstimos com bancos multilaterais, como o Banco Mundial.
- Intervenção Militar: A legislação americana autoriza ações militares fora de seu território contra grupos classificados como terroristas.
Para Gakiya, o PCC atua como uma máfia focada em lucro e domínio territorial, sem o viés ideológico ou religioso que caracteriza o terrorismo clássico. A decisão final agora depende do Congresso norte-americano, que terá um prazo de sete dias para análise assim que a proposta for formalizada por Rubio.
Fonte: G1







