Nova proposta endurece regras de entrada nos EUA e afeta até viajantes de países isentos de visto; medida visa coletar também e-mails e telefones antigos.
Entrar nos Estados Unidos pode se tornar um processo ainda mais invasivo em breve. De acordo com um aviso publicado nesta terça-feira no Diário Oficial da União (Federal Register), o governo Trump planeja tornar obrigatória a divulgação do histórico de redes sociais dos últimos cinco anos para todos os turistas e imigrantes estrangeiros.
A medida, detalhada pela Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), representa um endurecimento significativo na vigilância de fronteira e faz parte da campanha contínua do presidente Donald Trump focada em restrições imigratórias e segurança nacional.
O que muda para o viajante?
Pela proposta, qualquer estrangeiro que deseje entrar no país terá que fornecer:
- Histórico de redes sociais dos últimos cinco anos;
- Endereços de e-mail e números de telefone usados no mesmo período;
- Endereços residenciais e nomes de familiares.
O ponto mais polêmico da proposta é sua abrangência. A exigência de dados seria “obrigatória” inclusive para cidadãos de países que atualmente não precisam de visto para turismo, como Reino Unido e Alemanha.
Hoje, esses viajantes utilizam o Sistema Eletrônico para Autorizações de Viagem (ESTA), um processo simplificado. Com a nova regra, o que era apenas uma formalidade rápida pode se tornar um obstáculo burocrático, exigindo o preenchimento de dados sensíveis sobre a vida digital do turista.
Contexto de Segurança e Polêmica
A administração Trump justificou o aumento da rigidez citando a segurança pública e nacional, em resposta a um recente ataque a tiros contra dois membros da Guarda Nacional em Washington, D.C., cujo suspeito é um cidadão afegão.
No entanto, grupos de defesa de direitos civis reagem com preocupação. A Electronic Frontier Foundation classificou a medida como “sem precedentes”, alertando que o objetivo seria “monitorar e reprimir a atividade de estrangeiros”.
Desde que retornou ao cargo em janeiro, o governo já expandiu a “análise de presença online” para candidatos ao visto de trabalho H-1B e buscou revogar vistos de manifestantes contrários à guerra em Gaza.
Impacto no Turismo e na Copa do Mundo
A proposta abre um período de 60 dias para comentários públicos, mas já levanta questões logísticas para o futuro próximo. No ano que vem (2026), os Estados Unidos sediarão a Copa do Mundo da FIFA.
A nova barreira digital pode complicar a entrada de milhares de fãs de futebol de todo o mundo, criando gargalos e preocupações com a privacidade de visitantes que, historicamente, tinham acesso facilitado ao país.
O Departamento de Segurança Interna não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário sobre a implementação técnica da medida.
Fonte: NBC Boston
