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Natal longe de casa: quando o amor se torna nosso abrigo

O Natal chegou. E, com ele, aquela sensação difícil de definir: para alguns, é pura alegria; para outros, um silêncio profundo. Mas, para muitos de nós, brasileiros que vivem fora do país, essa data traz um misto complexo de saudade, gratidão e resistência.

Se este é mais um Natal que você passa longe da sua família, quero que saiba que entendo como o coração fica apertado nesses dias. Sei que, enquanto muitas casas se enchem de vozes e festas, é possível que você esteja trabalhando, ou chegando exausto em casa, tentando transformar o pouco que tem em algo especial. E está tudo bem.

O Natal não começou em conforto

É importante lembrar que o primeiro Natal não aconteceu no conforto de uma mesa farta ou na segurança de um lar estruturado. A Bíblia nos apresenta um Jesus que nasceu em deslocamento, em viagem, em total vulnerabilidade. Maria e José estavam longe de casa, sem garantias humanas.

Portanto, mesmo que o seu Natal não seja exatamente como você planejou, isso não significa ausência de Deus; significa presença de uma forma diferente, talvez mais próxima da essência original do que imaginamos.

Quando a saudade aperta

Quando a saudade apertar — seja da família, da comida ou daquele sentimento de ser cuidado —, permita-se sentir. A saudade é sinal de vínculo, é a prova viva de que você não se perdeu de quem você é. Sentir é para quem está vivo.

O Natal que acontece agora

Abrace o Natal que acontece agora. Mesmo que não seja o cenário dos sonhos, ele é o seu Natal possível. Ele pode residir nos detalhes: num prato preparado com carinho, numa ligação de vídeo feita com intenção e presença real, ou num convite para alguém que também está longe dos seus.

Muitas vezes, o maior presente que podemos dar e receber é ser “casa” para alguém em terra estranha.

Na minha memória

Escrevo estas palavras com o coração tocado por uma data muito especial para mim: o aniversário de casamento dos meus pais. Foi da união deles que recebi a vida e aprendi que o amor verdadeiro permanece, mesmo quando a presença física se transforma em lembrança.

Minha mãe, Heloisa Helena, já descansou das dores deste mundo, mas o amor que ela construiu continua vivo em mim. Isso me recorda que o Natal também é sobre isso: vida que continua, amor que atravessa fronteiras e esperança que não morre.

O verdadeiro sentido

O verdadeiro sentido desta data não é a perfeição, é a encarnação. É a esperança que nasce no meio do caminho, que sustenta quem continua e fortalece quem escolheu não desistir.

Como nos lembra Hebreus 11:1, “A fé é a certeza das coisas que se esperam e a convicção de fatos que não se veem“.

Talvez você não veja todas as respostas agora, mas você continua caminhando. Você sobreviveu, cresceu e segue lutando com a coragem de quem decidiu viver algo novo. Que este Natal te encontre com menos cobranças e mais graça.

Parabéns pela sua vitória e pela sua jornada.

Feliz Natal.

Dedico este artigo à minha mãe, Heloisa Helena. Foi com você que entendi o que é o amor, e é por você que sigo.

Miriam Matos

Colunista de SobreVivência – Zimny Magazine

@miriam.matos.us

Zimny Magazine

Conectando Brasileiros em Massachusetts

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