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Inflação nos EUA atinge maior nível em três anos com reflexos da guerra no Irã; gasolina sobe 50%

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Preços ao consumidor avançaram 3,8% em 12 meses, na escalada mais acentuada desde maio de 2023. O valor médio da gasolina saltou de US$ 3 para US$ 4,50 por galão, aponta levantamento do setor.

A inflação nos Estados Unidos subiu em abril para o seu patamar mais alto em três anos, confirmando as expectativas do mercado diante dos impactos da guerra no Oriente Médio sobre a maior economia do mundo.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) atingiu 3,8% no acumulado de doze meses, informou o Departamento de Estatísticas nesta terça-feira. Trata-se da alta mais expressiva desde maio de 2023. Para efeito de comparação, a inflação anualizada havia sido de 3,3% em março e 2,4% em fevereiro.

Com a aceleração dos preços, os salários reais registraram a primeira queda em três anos, pressionando severamente o poder de compra das famílias americanas.

Energia e Alimentos sob pressão

A gasolina foi o principal motor deste recorde, com uma alta de 28,4% em relação ao ano anterior. No entanto, a carestia foi generalizada, atingindo desde itens básicos de supermercado até o valor dos aluguéis.

O conflito no Oriente Médio, intensificado em 28 de fevereiro após ações militares dos EUA e de Israel contra o Irã, permanece em um impasse logístico e diplomático. Como reflexo, os preços do petróleo continuam sustentados acima da marca de US$ 100 por barril.

De acordo com a Associação Americana do Automóvel (AAA), o galão de gasolina comum custa, em média, US$ 4,50 nos EUA — um salto de 50% frente aos US$ 3 registrados no período pré-guerra.

“A inflação, que acreditávamos estar sob controle, está acelerando novamente, e isso é um problema real”, afirmou Gus Faucher, economista-chefe do PNC Financial Services Group. “Quanto mais tempo os preços permanecerem elevados, maior será a pressão sobre o consumo das famílias.”

Efeitos em cascata: passagens aéreas e logística

Os custos elevados de energia já provocam reajustes em outros setores:

  • Passagens aéreas: Subiram 2,8% apenas em abril, reflexo direto do aumento do querosene de aviação.
  • Alimentos: O índice subiu 0,7% no mês, a maior alta em quase quatro anos, com destaque para carnes, laticínios e hortifrútis.
  • Produção: O aumento no custo dos fertilizantes e do transporte de carga deve manter os preços elevados nos próximos meses, mesmo que as cadeias de suprimentos comecem a se normalizar.

Cenário Político

A deterioração econômica ocorre em um momento sensível para o governo de Donald Trump, às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato (midterms), marcadas para 3 de novembro.

Embora a Casa Branca classifique as perturbações como “temporárias”, analistas de mercado alertam que a normalização da produção de petróleo e das rotas comerciais pelo Estreito de Ormuz pode levar meses, mantendo o custo de vida elevado no curto prazo.

Fonte: O Globo e Metrópoles

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