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Fim do Lockout: Enfermeiras do Brigham retornam ao hospital após greve histórica, mas impasse salarial continua

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Após cinco dias de braço de ferro e piquetes barulhentos em Boston, cerca de 4.000 profissionais reassumem postos sob clima de trégua fria com a administração.

Chegou ao fim a maior e mais ruidosa paralisação de profissionais de enfermagem da história de Massachusetts. Pontualmente às 6h59 da manhã desta segunda-feira (13), os portões do Brigham and Women’s Hospital, em Boston, foram reabertos para o retorno das cerca de 4.000 enfermeiras oficiais, encerrando o período de lockout (bloqueio patronal) que se arrastava desde a semana passada.

A categoria havia realizado uma greve de advertência de apenas 24 horas na quarta-feira. No entanto, a administração do grupo Mass General Brigham (MGB) impediu o retorno imediato das equipes no dia seguinte, alegando a necessidade de cumprir a garantia financeira de um contrato de contingência de cinco dias assinado com 1.300 enfermeiras substitutas temporárias. Durante todo o fim de semana, as profissionais oficiais mantiveram piquetes ininterruptos na Francis Street, garantindo que só deixariam o asfalto no momento exato do retorno oficial.

Notificação Extrajudicial e Guerra do Barulho

O clima na porta do hospital nos últimos dias foi marcado por forte tensão e barulho. O barulho constante de buzinas, apitos e gritos de guerra incomodou a vizinhança e os próprios administradores, levando o grupo MGB a enviar uma notificação extrajudicial à Associação de Enfermeiras de Massachusetts (MNA), além de cartas formais de desculpas aos moradores do entorno do hospital.

Em nota, a direção do hospital afirmou respeitar o direito de manifestação, mas demonstrou preocupação com condutas que pudessem interferir no acesso a equipamentos médicos, nas entregas e no ambiente de recuperação dos pacientes internados. Nas linhas de piquete, a reação das enfermeiras foi de desafio.

“Eles vão diminuir o barulho às 22h. As pessoas já vêm fazendo isso e ninguém começa em um horário absurdo da manhã”, rebateu Kerry, uma das enfermeiras manifestantes. “Sinto muito. O hospital fez uma besteira e colheu um prêmio estúpido.”

Retorno à Rotina e Próximos Passos com a Mediação

Apesar de o atendimento estar sendo normalizado com as equipes da casa a partir desta manhã, a disputa econômica e estrutural continua longe de um desfecho amigável.

  • A Posição do Hospital: A MGB reforça que já foram realizadas mais de 20 sessões formais de negociação. O grupo sustenta que os enfermeiros acumulam um plano de carreira estável, com progressões que garantem aumentos de 5% ao ano nas últimas duas décadas.
  • A Posição do Sindicato: As enfermeiras alegam que a progressão por tempo de serviço não anula o impacto da inflação e exigem um reajuste real com base no custo de vida, além de melhorias nos planos de saúde e tetos mais rígidos para a contratação de pessoal temporário.

“Nosso trabalho ainda não terminou. Ainda temos que negociar, e eles precisam estar dispostos a se sentar conosco. Tenho certeza de que o mediador nos mandará de volta à mesa de negociações e, com sorte, eles virão dispostos a negociar de boa-fé”, declarou Kelly Morgan, enfermeira e presidente do Comitê de Negociação da MNA.

Morgan fez questão de tranquilizar a comunidade internacional que utiliza o complexo de saúde de Boston, garantindo que o padrão de excelência clínica não será afetado pelo desgaste político da greve. A expectativa agora gira em torno da intervenção do mediador trabalhista do estado para forçar uma nova rodada de conciliação ainda esta semana.

Fonte: WCVB E CBS Boston

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