Ação coordenada por agências americanas mira rede que movimentou mais de US$ 30 milhões; empresas brasileiras ligadas a escândalo no futebol estão entre os alvos.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, nesta quarta-feira (1º), a aplicação de sanções financeiras severas contra dois cidadãos brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma firma localizada em Portugal. De acordo com o governo americano, os alvos integram uma complexa rede internacional de lavagem de dinheiro atrelada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Esta é a primeira medida punitiva de asfixia econômica realizada por Washington desde que a facção brasileira foi oficialmente enquadrada no país como uma organização terrorista internacional.
A investigação que culminou no bloqueio foi conduzida em conjunto pelo FBI, pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) e por forças-tarefa do Departamento de Segurança Interna (DHS). A inteligência americana aponta que o esquema utilizava operadores baseados na Flórida para coletar dólares oriundos de atividades criminosas, convertendo os montantes em criptomoedas para enviá-los de volta ao território brasileiro. Ao todo, estima-se que a rede tenha lavado mais de US$ 30 milhões.
Os Alvos das Sanções e a Ligação com o Futebol
As penalidades financeiras do governo norte-americano miram indivíduos específicos e uma estrutura empresarial que já estava sob o radar das autoridades brasileiras:
- Victor Henrique de Oliveira Shimada: Apontado como o elo central entre os criminosos na Flórida e os esquemas de remessa internacional de valores.
- Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira: Identificada como secretária e colaboradora direta de Shimada, responsável por organizar a logística de recolhimento de dinheiro em espécie em solo americano.
Entre as pessoas jurídicas sancionadas estão as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Pixwave Soluções de Pagamentos, Wave Construções Inteligentes e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda.
O comunicado oficial do Tesouro dos EUA fez menção direta à utilização da Victory Trading para ocultar patrimônio ilícito em um caso de grande repercussão esportiva no Brasil. Sem citar nominalmente o Corinthians, o documento relembrou a prisão de Victor Shimada pela Polícia Federal em janeiro de 2025, destacando que a empresa foi usada para “lavar dinheiro roubado de um clube de futebol brasileiro em um esquema fraudulento de patrocínio publicitário” — em alusão ao escândalo de repasses envolvendo o antigo contrato com a marca Vai de Bet.
O Impacto do Novo Status de “Organização Terrorista”
A ofensiva econômica desta quarta-feira decorre diretamente de uma mudança profunda na postura geopolítica dos EUA. Em 5 de junho de 2026, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, assinou a classificação oficial do PCC e do Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês).
Com a mudança de patamar jurídico perante a comunidade internacional, o cerco americano a essas organizações passa a contar com ferramentas muito mais agressivas:
1. Persecução Global e Bloqueio Total
As agências de segurança dos EUA deixam de tratar os grupos como facções ou cartéis de narcotráfico locais para atuar na neutralização de suas redes fora do Brasil. A inclusão na lista de sanções determina o congelamento imediato de quaisquer bens, imóveis e ativos sob jurisdição americana.
2. Sanções Secundárias a Terceiros
A legislação impede que qualquer cidadão ou empresa americana realize negócios com os sancionados. Além disso, instituições financeiras de qualquer lugar do mundo que facilitem transações relevantes para os nomes listados correm o risco de sofrer sanções secundárias e perder o acesso ao sistema bancário dos EUA.
3. Restrição de Mobilidade e Deportação
Sob os dispositivos da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA (INA), qualquer estrangeiro comprovadamente vinculado ao PCC ou ao CV tem seu visto americano cancelado imediatamente e torna-se inadmissível no país, estando sujeito a processos de deportação sumária caso seja localizado em território americano.
Fonte: Metrópoles







