Ação no Mar Vermelho ameaça interromper fluxo de energia global em meio a esforços diplomáticos para restaurar cessar-fogo; Casa Branca e Teerã acenam para possíveis negociações.
As forças rebeldes Houthi do Iêmen, alinhadas a Teerã, anunciaram nesta segunda-feira (20) a imposição de um bloqueio naval imediato à Arábia Saudita. A medida expande o conflito no Oriente Médio para além do Golfo Pérsico, abrindo uma nova e perigosa frente contra os Estados Unidos e ameaçando comprometer ainda mais as rotas globais de abastecimento de energia.
De acordo com o comunicado militar dos Houthis, o “embargo marítimo contra o inimigo saudita” foi decretado com base na lei de talião (“olho por olho”), como resposta ao cerco econômico mantido por Riad contra o Iêmen. A declaração pressiona o Estreito de Bab el-Mandeb — porta de entrada do Mar Vermelho por onde trafega cerca de 7% de todo o petróleo mundial —, somando-se aos severos gargalos já provocados no Estreito de Ormuz, que reduziram a oferta global de combustível em 10%.
O governo da Arábia Saudita não emitiu uma resposta oficial imediata ao anúncio.
Bastidores diplomáticos tentam restabelecer trégua de 10 dias
Apesar do acirramento militar, canais diplomáticos tentam conter a escalada. Fontes do governo do Irã confirmaram à reportagem o recebimento de uma proposta elaborada por mediadores internacionais prevendo um cessar-fogo de 10 dias. A intenção é resgatar o acordo provisório assinado no mês passado e interromper o ciclo de ataques iniciado no final de fevereiro.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, sinalizou que o país não fechou as portas para a via diplomática:
“O ponto principal é que, nos últimos dias, tanto o aparelho diplomático tem estado ativo quanto ideias de alguns mediadores chegaram até nós.”
Em Washington, o Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reforçou que o país responderá militarmente enquanto o Irã insistir em controlar rotas marítimas internacionais, mas ressaltou que “os Estados Unidos permanecem sempre abertos a uma solução diplomática”. Paralelamente, autoridades do Paquistão relataram ter sido acionadas por Teerã para retomar o papel de mediação junto à Casa Branca.
Nona noite de bombardeios e ataques a infraestruturas críticas
O movimento diplomático ocorre em meio à continuidade das operações militares de ambos os lados ao longo da madrugada:
- Ações dos EUA: O Comando Central americano (CENTCOM) realizou a sua nona noite consecutiva de ataques aéreos contra cidades iranianas, com explosões registradas em Tabriz, Chabahar, Konarak, Bandar Mahshahr e Bandar Imam Khomeini. O presidente Donald Trump defendeu a ofensiva em resposta à morte de até três militares americanos na região.
- Contra-ataque Iraniano: A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) afirmou ter atingido dois petroleiros que tentavam cruzar Ormuz por rotas “não seguras” e disparado mísseis balísticos contra ativos militares dos EUA no aeroporto de Aqaba (Jordânia), além de posições no Kuwait e na Síria.
- Crise de Água no Golfo: O governo do Kuwait denunciou que uma usina de dessalinização foi atingida por ataques de drones iranianos pelo segundo dia consecutivo, provocando incêndios. A destruição destas estruturas ameaça diretamente o fornecimento de água potável para milhões de civis no Golfo.
A volatilidade no setor energético permaneceu elevada ao longo do dia. Os preços do barril de petróleo subiram logo após a declaração do bloqueio houthi, mas desaceleraram o ritmo de alta à medida que o mercado passou a precificar a possibilidade de um avanço nas conversas de cessar-fogo.
Fonte: Reuters







