União Europeia celebra alíquota menor após multa bilionária ao Google, enquanto Brasil aciona Lei da Reciprocidade e China condena medidas unilaterais.
Entrou em vigor a partir da meia-noite desta sexta-feira (24) a nova rodada de tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos a cerca de 60 parceiros comerciais, cobrindo 99,4% dos produtos que entram no mercado norte-americano. As novas taxas, que variam entre 10% e 12,5%, foram estabelecidas pela Casa Branca sob a justificativa legal de combater o trabalho forçado nas cadeias de suprimento globais.
A medida substitui o regime tarifário temporário que venceu hoje, adotado após a Suprema Corte dos EUA anular, em fevereiro, as sobretaxas universais decretadas em 2025. O novo anúncio provocou reações imediatas e contrastantes entre as principais potências econômicas do planeta.
União Europeia: Alívio comercial e tensão na tecnologia
A União Europeia reagiu com alívio moderado ao enquadramento na alíquota mínima de 10%, acompanhada de isenções estratégicas para itens como cortiça, diamantes, medicamentos genéricos e peças de aeronaves. Para Bruxelas, o desfecho respeita o acordo comercial firmado com Washington e mantém uma “dinâmica positiva” para discussões multilaterais.
O cenário ganha contornos complexos porque o anúncio tarifário ocorreu no mesmo dia em que a Comissão Europeia aplicou uma multa de € 890 milhões ao Google por práticas anticompetitivas no mercado digital. Apesar do histórico de críticas da administração Donald Trump às regulamentações europeias de tecnologia, a decisão regulatória não alterou a alíquota de 10% concedida ao bloco.
Brasil promete reciprocidade sem abandonar diálogo
Atingido pela taxa mais elevada de 12,5% — somada aos 25% já aplicados na semana anterior —, o governo brasileiro emitiu nota oficial repudiando o argumento norte-americano sobre falhas no combate ao trabalho escravo em 3 mil itens de sua pauta exportadora.

- Resposta Legal: O governo federal anunciou que recorrerá à Lei da Reciprocidade como mecanismo de pressão comercial contra os EUA.
- Canal Aberto: Apesar das medidas defensivas, a diplomacia brasileira confirmou que manterá as negociações diretas com o governo Trump para buscar um entendimento bilateral.
Protestos no continente asiático
Na Ásia, a reação foi de forte descontentamento:
- China: O Ministério dos Negócios Estrangeiros classificou a tarifa de 12,5% como “unilateral e prejudicial a ambas as partes”, rebatendo as acusações de trabalho forçado na região de Xinjiang.
- Filipinas: A Câmara de Comércio e Indústria (PCCI) expressou surpresa e preocupação com o impacto na competitividade das indústrias locais, destacando o cumprimento rigoroso das normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
- Aliados Tradicionais: Austrália, Japão e Nova Zelândia voltaram a criticar abertamente a política protecionista de Washington, classificando as novas barreiras comerciais como “injustificadas e lamentáveis”.
Analistas apontam que, enquanto a Casa Branca busca manter poder de barganha para futuras negociações, o mercado global deve enfrentar aumento generalizado de custos operacionais e encarecimento de produtos ao consumidor final.







