Proposta apresentada ao Irã busca descentralizar controle do canal estratégico e encerrar cobrança unilateral de taxas impostas durante conflito com os EUA.
Em uma tentativa de destravar o impasse geopolítico na passagem marítima mais estratégica do comércio de energia global, o Sultanato de Omã apresentou ao governo do Irã um modelo alternativo para a gestão do Estreito de Ormuz. A proposta sugere a criação de um sistema de financiamento compartilhado e voluntário, substituindo a cobrança unilateral de pedágios instituída por Teerã desde o eclodir das tensões militares com os Estados Unidos.
A informação foi revelada por fontes diplomáticas à agência Reuters na manhã desta terça-feira (28).
Modelo inspirado no Estreito de Malaca
Pela proposta omanense, que já conta com o respaldo inicial de outros países da região, o Irã abriria mão do controle operacional exclusivo da hidrovia. Em contrapartida, as nações e empresas navegações que utilizam o canal passariam a contribuir voluntariamente para um fundo destinado a:
- Segurança navegacional: Financiamento de operações de busca, salvamento e patrulhamento de proteção às embarcações comerciais.
- Preservação ambiental: Gestão e mitigação de riscos de contaminação marinha decorrentes do fluxo intensivo de navios petroleiros.
- infraestrutura: Manutenção e modernização dos sistemas de sinalização e monitoramento do tráfego marítimo.
A arquitetura do acordo toma como referência o modelo multilíngue e colaborativo adotado no Estreito de Malaca — passagem crucial entre os oceanos Índico e Pacífico —, que combina cooperação regional sem a imposição de soberania tributária exclusiva sobre águas internacionais.
Gargalo do petróleo global
O Estreito de Ormuz é o gargalo mais crítico do mercado de hidrocarbonetos do planeta, sendo a rota marítima responsável pelo escoamento de aproximadamente 20% de todo o petróleo consumido no mundo.
A interrupção e a cobrança arbitrária de taxas de passagem por Teerã elevaram drasticamente os custos do frete marítimo e do seguro de carga nas últimas semanas, pressionando os preços da energia no mercado internacional e agravando a volatilidade financeira trazida pela guerra de tarifas entre as grandes potências.
Diplomatas ouvidos reservadamente apontam que a mediação de Mascate é vista como uma das poucas saídas viáveis para desescalar o conflito na região sem a necessidade de intervenção direta de forças navais estrangeiras.
Fonte: Metrópoles







