Investigação da OMS sobre casos no navio MV Hondius traz à tona preocupações sobre a doença; especialistas descartam risco de pandemia global, mas reforçam cuidados em áreas rurais.
O recente surto de hantavirose associado ao navio de cruzeiro MV Hondius, após expedições pela América do Sul e pelo Atlântico, colocou as autoridades sanitárias internacionais em estado de vigilância. O episódio, que já registra mortes e casos confirmados, levantou questionamentos sobre a gravidade da doença e a possibilidade — ainda que remota — de transmissão entre humanos.
Apesar do temor gerado pelo termo “surto”, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e infectologistas reforçam que o hantavírus possui uma dinâmica de propagação muito diferente de vírus respiratórios como o da Covid-19.
O que é e como ocorre a infecção?
Diferente do que muitos acreditam, o maior risco do cruzeiro não estava no convívio a bordo, mas em atividades externas, como trilhas em áreas naturais. De acordo com o Ministério da Saúde, a hantavirose é uma zoonose causada por vírus presentes em roedores silvestres.
- Via de transmissão: A infecção ocorre principalmente pela inalação de aerossóis (partículas no ar) provenientes da urina, fezes ou saliva de roedores infectados.
- Locais de risco: Ambientes fechados, galpões, imóveis desocupados há muito tempo e áreas rurais com pouca ventilação.
Hantavírus pode causar uma nova pandemia?
Para a infectologista Paula Pinhão, a resposta atual é negativa. O vírus não apresenta uma transmissão sustentada e eficiente entre pessoas.
“A maioria das variantes não se espalha facilmente entre humanos. O Hantavírus dos Andes , identificado na América do Sul, é uma das raras exceções onde a transmissão interpessoal foi registrada, mas são situações específicas e rigorosamente monitoradas”, explica a especialista.
Cenário no Brasil em 2026
A doença, embora rara, mantém uma presença constante no território brasileiro, com maior incidência histórica na região Sul.
- Dados atuais: Em 2026, o país já confirmou oito casos da doença.
- Histórico recente: Foram 44 casos em 2024 e 35 em 2025.
Sintomas e Tratamento
Os sintomas iniciais podem ser confundidos com uma gripe forte, mas a evolução pode ser rápida para quadros de insuficiência respiratória.
- Fique atento a: Febre alta, dor de cabeça, dores musculares intensas, náuseas e falta de ar.
- Tratamento: Não existe vacina nem antiviral específico. O tratamento é de suporte clínico hospitalar, com foco na estabilização da respiração e pressão arterial. O diagnóstico precoce é fundamental para a sobrevivência do paciente.
Fonte: Metrópoles







