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Governo dos EUA acelera processos para revogar cidadania de naturalizados

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Em menos de dois meses, o Departamento de Justiça abriu 29 ações de desnaturalização baseadas em fraudes graves e crimes ocultos. A meta da gestão Trump é alcançar pelo menos 250 casos até outubro deste ano.

O governo de Donald Trump deu início a uma das ofensivas jurídicas mais agressivas das últimas décadas no setor de imigração dos Estados Unidos. O alvo, desta vez, não são os estrangeiros em situação irregular, mas sim os imigrantes nascidos no exterior que já obtiveram a cidadania americana por meio do processo de naturalização.

De acordo com informações exclusivas obtidas junto a um alto funcionário do Departamento de Justiça (DOJ), a meta da atual gestão é abrir pelo menos 250 processos de desnaturalização até outubro deste ano. O movimento representa uma aceleração drástica no ritmo de fiscalização: em menos de dois meses, 29 ações civis e criminais já foram formalmente apresentadas nos tribunais federais.

Para contextualizar o peso da medida, o volume acumulado em apenas dois meses supera a média histórica recente. Entre 2008 e o início de junho de 2026, os EUA registraram 166 processos desse tipo — o que equivale a uma média inferior a 10 casos por ano. Durante os quatro anos da administração de Joe Biden, por exemplo, o total de ações abertas foi de apenas 24.

Quais são os alvos das investigações?
A legislação federal americana prevê que a cidadania pode ser revogada caso o indivíduo tenha omitido fatos relevantes ou apresentado declarações falsas deliberadas ao longo de suas entrevistas e formulários de elegibilidade.

Segundo o Departamento de Justiça, o cerco está focado estritamente em fraudes graves contra os Estados Unidos e crimes de alto impacto. Os processos abertos até o momento envolvem cidadãos naturalizados acusados de:

  • Prática de fraude documental ou de identidade na aplicação;
  • Ocultação de histórico de abuso sexual de menor;
  • Manifestação de apoio formal ao terrorismo antes ou durante o processo de naturalização;
  • Envolvimento em crimes de guerra ou crimes graves não declarados na época.

“Não estamos gastando recursos com pessoas que receberam uma multa de estacionamento. Trata-se realmente de identificar indivíduos que mentiram sobre históricos criminais severos que estavam em andamento enquanto solicitavam o benefício”, esclareceu o funcionário do DOJ à reportagem.

Remanejamento tático de advogados federais
Para dar conta da meta estabelecida, os bastidores do Departamento de Justiça sofreram uma reorganização interna profunda. Advogados de divisões cíveis focadas em outras frentes — incluindo especialistas em fraudes financeiras e comerciais — foram deslocados de suas funções originais e integrados à unidade de desnaturalização, que originalmente contava com apenas 12 profissionais.

Os casos também começaram a ser distribuídos em massa para os escritórios de procuradores federais em diferentes estados americanos. O procurador-geral interino, Todd Blanche, reforçou em nota a linha dura adotada: “Obter a cidadania americana é um privilégio e este Departamento de Justiça mantém uma política de tolerância zero para o abuso desse processo”.

Se o governo vencer a disputa judicial nos tribunais federais (único local onde a desnaturalização pode ocorrer), o indivíduo perde o passaporte americano e retorna ao status imigratório que possuía antes da concessão — geralmente, o de residente permanente (Green Card). Contudo, a depender da gravidade da fraude ou do crime cometido, o cidadão desnaturalizado pode passar a responder imediatamente a processos de deportação.

Blindagem aos cidadãos nativos e o debate da Suprema Corte
A medida de cassação não se aplica, sob nenhuma circunstância, a indivíduos que nasceram em solo americano e detêm a cidadania por direito de nascimento.

Paralelamente a essa ofensiva contra os naturalizados, o presidente Donald Trump tenta emplacar um decreto executivo para dar fim à concessão automática de cidadania para filhos de imigrantes indocumentados nascidos no país. Esse tema específico aguarda uma definição iminente da Suprema Corte, que julgará a constitucionalidade da canetada presidencial nos próximos meses.

Fonte: CNN Brasil

Zimny Magazine

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