Tráfego de petroleiros despenca após segunda noite consecutiva de bombardeios mútuos; Pentágono confirma 170 alvos atingidos em território iraniano.
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã declarou, nesta quinta-feira (9), que a onda de bombardeios aéreos coordenados pelos Estados Unidos interrompeu por completo o processo de reabertura gradual do Estreito de Ormuz. A hidrovia, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, voltou a se tornar o epicentro de um confronto militar direto após Washington e Teerã trocarem ataques severos pelo segundo dia consecutivo.
De acordo com o comando militar iraniano, a capacidade de trânsito sob sua supervisão havia se recuperado para 50% dos níveis de antes da guerra nas últimas duas semanas. Contudo, o tráfego marítimo voltou a colapsar nas últimas 24 horas.
O Bloqueio da Artéria do Petróleo
A instabilidade na região provocou uma retração imediata das empresas de navegação. Dados de monitoramento de fluxo marítimo apontam para um cenário de paralisia quase total na região.
- Queda drástica no fluxo: Na quarta-feira (8), 21 navios-tanque cruzaram o Estreito de Ormuz. Nesta quinta-feira, o número despencou para apenas 6 embarcações.
- Tripulações retidas: A Organização Marítima Internacional (OMI), agência ligada à ONU, emitiu um comunicado de emergência alertando que cerca de 6.000 marinheiros civis estão atualmente retidos a bordo de navios mercantes no Golfo Pérsico, sem rotas seguras para deixar a região.
O Balanço dos Ataques de Ambos os Lados
A intensidade dos combates aumentou significativamente com ações de larga escala de ambas as forças armadas na última madrugada.
1. A Ofensiva dos EUA (CENTCOM)
O Comando Central dos EUA realizou uma segunda rodada consecutiva de incursões aéreas, elevando o total de alvos neutralizados para demonstrar força contra o bloqueio iraniano:
| Período | Alvos Atingidos | Principais Alvos |
| Terça-feira (7/7) | ~80 alvos | Sistemas de radar, defesas aéreas e 60 barcos rápidos da Guarda Revolucionária. |
| Quarta-feira (8/7) | ~90 alvos | Depósitos de mísseis/drones, bases de monitoramento costeiro e nós de logística. |
| Total (48 horas) | 170 alvos | Cinco províncias iranianas atingidas; Teerã confirmou 14 mortos e 78 feridos. |
2. A Retaliação do Irã
As forças iranianas responderam de forma descentralizada, mirando bases de apoio e ativos estratégicos dos EUA e de aliados no Oriente Médio:
- Kuwait: Ataques com drones atingiram baterias de interceptação de mísseis Patriot.
- Catar & Bahrein: Bombardeios contra antenas de comunicação via satélite e bases logísticas de combustível militar dos EUA.
- Jordânia: Disparo de 10 mísseis balísticos contra a Base Aérea de Azraq. O governo jordaniano informou ter interceptado 8 deles antes do impacto, sem registro de vítimas.
Contexto Político: O Fim da Diplomacia
A nova escalada militar sepulta os esforços diplomáticos que vinham sendo costurados desde o anúncio de um cessar-fogo provisório em junho.
“Para mim, acho que acabou. Não quero mais lidar com eles. É uma perda de tempo”, declarou o presidente americano, Donald Trump, durante a cúpula da OTAN em Ancara, ao justificar a autorização para a retomada das operações de bombardeio.
Paralelamente aos combates, o Irã concluiu nesta quinta-feira as cerimônias de sepultamento do falecido Líder Supremo, Ali Khamenei, após dias de cortejos fúnebres que mobilizaram multidões em Teerã, em meio a um forte clima de mobilização nacionalista e apelos por novas retaliações na região do Golfo.
Fonte: G1







