Impedidas de retornar aos postos após greve de 24 horas, mais de 4.000 profissionais mantêm piquetes na Francis Street; hospital alega cumprimento de contrato de 5 dias com substitutos temporários.
O braço de ferro entre o corpo de enfermagem e a administração do Mass General Brigham (MGB) ganhou contornos ainda mais dramáticos na manhã desta sexta-feira (10). A Associação de Enfermeiras de Massachusetts (MNA) confirmou que não há novas rodadas de negociação agendadas, consolidando um impasse que pariliza parcialmente um dos principais complexos hospitalares dos Estados Unidos.
O movimento, que começou na última quarta-feira como uma paralisação programada de apenas 24 horas, transformou-se em um tenso bloqueio patronal (lockout). Quando milhares de enfermeiras do Brigham and Women’s Hospital tentaram reassumir seus postos às 7h de quinta-feira, foram barradas na entrada. A direção da instituição justificou a medida alegando a necessidade de cumprir a garantia financeira de um contrato de contingência de cinco dias firmado com profissionais temporários. Com isso, as equipes oficiais só poderão retornar ao trabalho na próxima segunda-feira.
Apoio Político e Pressão nas Ruas

Mesmo sob o calor de 82ºF (cerca de 28°C) que atinge a região metropolitana de Boston, o clima na Francis Street continua inflamado. Munidas de cartazes, faixas e megafones, as enfermeiras mantêm os piquetes ativos pelo terceiro dia consecutivo.
A mobilização ganhou forte tração política e cultural com a presença de lideranças de peso nos pontos de manifestação:

- A prefeita de Boston, Michelle Wu, compareceu ao local para endossar as reivindicações da categoria: “Não é pedir demais que haja dignidade”, discursou para a multidão.
- O senador federal Ed Markey reforçou o coro por melhores condições de trabalho: “Vocês merecem o mesmo nível de cuidado que oferecem aos seus pacientes”.
- O vocalista da icônica banda de punk celta de Boston, Dropkick Murphys, Ken Casey, também esteve presente em solidariedade às trabalhadoras.
A governadora de Massachusetts, Maura Healey, voltou a se manifestar publicamente após intervir em reuniões de emergência, apelando para que ambas as partes retornem imediatamente à mesa. “É essencial que cheguem a um acordo que proteja o atendimento ao paciente e garanta salários e benefícios dignos para nossos dedicados enfermeiros”, escreveu em nota oficial.
Impacto nos Serviços e Segunda Frente de Greve
A direção do Brigham and Women’s Hospital reiterou que as instalações permanecem totalmente operacionais e seguras para os pacientes graças às equipes substitutas, embora tenha alertado a comunidade para atrasos significativos no trânsito e nos acessos ao campus principal em Boston.
| Frente de Atuação | Tipo de Paralisação | Situação Atual |
| Enfermeiras do Hospital | Bloqueio de 5 dias (Lockout) | Afastadas até segunda-feira; piquetes diários na Francis St. |
| MGB Home Care (Atendimento Domiciliar) | Greve determinada de 7 dias | Profissionais realizam ato público em Somerville nesta sexta-feira. |
Enquanto as equipes hospitalares enfrentam o bloqueio em Boston, os 450 profissionais clínicos da divisão de atendimento domiciliar (MGB Home Care) — que inclui terapeutas, assistentes sociais e fonoaudiólogos — seguem em sua greve autônoma de uma semana. O grupo agendou um grande protesto na cidade vizinha de Somerville para esta tarde, prometendo elevar a pressão regional contra a governança corporativa do grupo de saúde.
Fonte: NBC Boston







