O temor de que os gastos com inteligência artificial não se paguem derrubou as bolsas asiáticas nesta terça-feira (3), enquanto a Europa fechou em leve queda e Wall Street operava sem direção única à espera do resultado da eleição de meio de mandato nos Estados Unidos.
Na Coreia do Sul, o Kospi fechou em queda de 3,59%, a 5.648,79 pontos, e em Taiwan o Taiex caiu os mesmos 3,59%, para 43.307,54 pontos — a sétima maior queda em pontos da história do índice, segundo a agência taiwanesa CNA. Tóquio não abriu: o mercado japonês ficou fechado pelo feriado do Dia da Cultura.
O que derrubou os chips

A venda começou em Wall Street na segunda-feira e atravessou o Pacífico. O Nasdaq recuou 1,07% ontem e o índice de semicondutores da Filadélfia perdeu 3,4%, depois de já ter caído 7,2% na sexta. O motivo é o custo da infraestrutura de inteligência artificial: a Oracle anunciou a emissão de US$ 20 bilhões em ações e títulos para financiar data centers, e a Anthropic indicou compromissos de US$ 895,4 bilhões em compras de infraestrutura nos próximos anos.
Em Seul, Samsung Electronics caiu 4,15% e a SK hynix, 5,03%. Em Taiwan, a MediaTek perdeu 7,43% e a TSMC, que responde por mais de 40% do valor de mercado da bolsa local, recuou 1,5%. A Apple completou o quadro: na segunda-feira, a empresa projetou margem bruta menor para o trimestre de festas, citando o encarecimento dos chips de memória, e as ações caíram 2,8% no after-market.
Europa fecha em queda leve
O STOXX 600, que reúne as 600 maiores empresas de capital aberto da Europa, fechou com baixa de 0,58%, a 645,66 pontos. A mineração liderou as perdas, pressionada pelo cobre, e o setor de tecnologia recuou cerca de 1%, com a ASML em -1,6%. A varejista online alemã Zalando caiu 6,6%, a maior queda do índice, depois de apresentar margem fraca e prejuízo líquido.
Do outro lado, a Bayer subiu 3,6% ao elevar a projeção de lucro de 2026, e a Philips ganhou 4,8% após um acordo preliminar com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O petróleo oscilou durante o dia: o Brent chegou a recuar 1,2%, mas seguiu acima de US$ 100 o barril, com a guerra no Oriente Médio ainda sem acordo.
Preferimos comprar em fraqueza por enquanto, porque não achamos que esses investimentos serão questionados. Podemos ter projetos adiados, mas, no geral, o que vemos é que todos os investimentos são movidos pela necessidade de mais capacidade de processamento.
A avaliação é de Gilles Guibout, chefe de ações europeias da BNP Paribas Asset Management, ouvido pela Reuters. Segundo ele, as avaliações ficaram mais baratas, mas a dinâmica de lucros segue positiva.
Wall Street espera a eleição

Por volta das 15h30 em Nova York — 17h30 em Brasília —, o S&P 500 subia 0,27%, a 7.562 pontos, e o Nasdaq avançava 0,78%, com Nvidia (+2,2%), Broadcom (+2,8%) e AMD (+4,2%) entre os destaques. O Dow Jones recuava 0,54%, para 51.702 pontos.
A votação desta terça define a composição da Câmara e do Senado. O resultado interessa ao mercado porque pode alterar a fiscalização sobre o setor de tecnologia e o rumo das propostas de regulação da inteligência artificial. As pesquisas apontam vantagem democrata na Câmara, enquanto o Senado segue indefinido.
O que isso significa em Massachusetts
O dinheiro dos servidores públicos do estado também está nessa conta. O PRIT Fund, gerido pelo PRIM para servidores estaduais, professores da rede estadual e o magistério de Boston, encerrou o ano fiscal de 2026 com US$ 129,5 bilhões e retorno de 12,7%. Desse resultado, 73% vieram das estratégias de renda variável pública, e a faixa-alvo de alocação em ações globais do fundo é de 31% a 41%.
Para quem acompanha o mercado daqui, os próximos dias têm dois marcadores objetivos: o resultado da eleição americana e a bateria de balanços das grandes empresas de tecnologia. É a diferença entre uma correção de preço e uma revisão de expectativa de lucro — e é isso que vai aparecer nos índices nas próximas sessões.
Fonte: Reuters, com informações da CNA/Focus Taiwan, do Korea JoongAng Daily e do PRIM.







