Proposta busca restringir nota máxima a 20% dos alunos por turma; objetivo é restaurar o valor do mérito acadêmico na prestigiada instituição da Ivy League.
O corpo docente da Universidade de Harvard iniciou nesta semana uma votação decisiva que pode transformar o cenário acadêmico da instituição. A proposta em pauta visa implementar um limite rigoroso para a concessão da nota “A”, a graduação máxima da universidade, em resposta a décadas de uma crescente “inflação de notas” (grade inflation).
De acordo com o plano apresentado, apenas 20% dos alunos de cada disciplina de graduação poderiam receber o conceito “A”, com uma margem adicional de quatro vagas para turmas menores. A medida afeta exclusivamente a nota cheia, mantendo inalteradas as diretrizes para “A-” ou notas inferiores.
O Fim da Era do “A” Generalizado?

Dados recentes revelam uma mudança drástica no perfil acadêmico de Harvard. Em 2005, as notas “A” representavam 24% do total distribuído na Harvard College. Duas décadas depois, esse número saltou para mais de 60%. Essa compressão dificulta a distinção entre o desempenho médio e a excelência real, afetando até mesmo critérios de premiações internas.
Em 2010, apenas um aluno recebeu o prêmio por maior GPA (média global); em 2025, o número de vencedores subiu para 55, exigindo que as médias sejam calculadas em até cinco casas decimais para desempatar elegibilidades como summa cum laude.
Resistência e Desafios
Apesar da urgência apontada pela administração — com a Decana Amanda Claybaugh afirmando que o sistema atual “prejudica a missão acadêmica” — a proposta enfrenta resistência. Professores críticos ao plano argumentam que a medida pode criar um ambiente de competitividade tóxica entre os estudantes, transformando o ensino em um “instrumento de comparação bruta”.
Se aprovada, a nova política deve ser amplamente divulgada em históricos escolares para que futuros empregadores e escritórios de admissão de pós-graduação compreendam o novo rigor da instituição. A votação online encerra-se no dia 19 de maio.
Fonte: Boston.com







