Medida foi justificada como cobrança por “serviços de navegação” e proteção ambiental; anúncio ocorre em meio a trocas de farpas entre Teerã e Donald Trump
O Ministério das Relações Exteriores do Irã anunciou, nesta segunda-feira (25/5), que passará a cobrar taxas de navios que transitam pelo Estreito de Ormuz, uma das vias marítimas mais estratégicas do mundo para o comércio de petróleo. De acordo com o porta-voz do ministério, Esmaeil Baghaei, a cobrança é justificada pela prestação de “serviços de navegação” e por medidas de proteção ambiental no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã. Apesar da medida, Teerã garantiu que a iniciativa não se trata da criação de um “pedágio”.
O anúncio reflete o aumento da temperatura diplomática na região. Nas redes sociais, o porta-voz do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, adotou um tom firme ao comentar a decisão, contextualizando-a como uma resposta direta às recentes pressões de Washington.
“Durante a guerra militar, nossa tática era olho por olho; na guerra diplomática, é ação contra ação”, afirmou Rezaei, ironizando as declarações do presidente americano Donald Trump. “O Irã não se curva à força nem às ameaças.”
Bastidores e o fator Trump

A movimentação iraniana acontece logo após declarações de Donald Trump no domingo (24/5). O presidente norte-americano afirmou que as negociações sobre o programa nuclear iraniano avançam de forma “ordenada e construtiva”, mas ressaltou que as sanções econômicas contra o Irã permanecerão “em pleno vigor até que um acordo seja alcançado, certificado e assinado”. Trump também aproveitou para criticar o acordo anterior, firmado na gestão de Barack Obama, classificando-o como “um dos piores acordos já feitos” pelos Estados Unidos.
A resposta do parlamento iraniano foi imediata e mirou o bolso do consumidor ocidental, alertando para o impacto no preço dos combustíveis caso os EUA mantenham a postura de confronto. “Se eles querem gasolina a 6 dólares, devem manter-se firmes e blefar”, disparou Rezaei.
Impacto global
O Estreito de Ormuz é um ponto crucial de estrangulamento geopolítico, por onde passa cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo.

Qualquer instabilidade ou taxação na região gera reflexos imediatos no mercado de energia global. Recentemente, a rota enfrentou gargalos severos, com petroleiros retidos por meses, o que já havia levado nações como o Reino Unido a planejar o envio de drones e caças para garantir a livre circulação na área.
As negociações entre Washington e Teerã devem continuar sob forte vigilância de investidores e líderes globais nos próximos dias.
Fonte: Metrópoles







